Caixas

maio 13, 2008

Um trecho do livro Você está louco! do Ricardo Semler, um cara que questiona tudo. Neste trecho ele questiona o sistema de ensino e a noção de sucesso em uma teoria curiosa mas bem real, a qual ele chama teoria das caixinhas:

No mundo adulto, a idéia é deixar a vida pessoal para trás, sair de uma caixinha (apartamento) pela manhã, entrar em outra, sobre rodas (ônibus, metrô ou carro) e chegar em outra maior (escritórios ou fábricas sem vista para fora), para ficar o dia inteiro, e voltar via caixa-sobre-rodas para a caixa-mãe. Lá, é sentar na frente da caixinha-com-tela ou daquela caixa-com-Internet, depois cair desacordado por sobre uma caixa-com-colchão. No dia seguinte, transitar novamente entre caixinhas. Que vida!

Na infância, a mãe deixa a criança na porta da escola, muitas vezes contra a vontade da bichinha, para ser “cuidada” e educada por terceiros. Uma caixinha da qual ela não pode sair, na qual ela é empilhada com outras 20 crianças, sem poder sair para o pátio (outra caixinha, aliás, da qual ela também não pode sair).

Se isso for treinamento para uma vida insossa em caixinhas claustrofóbicas, é realmente um sistema exemplar. Se for para ensinar à criança que a vida é cruel, que nunca é possível fazer o que se quer, que mais tarde tudo será assim – cinzento, duro e repetitivo -, então o sistema educacional é um sucesso. Prepara, de fato, a criança para o miserável mercado de trabalho que os pais míopes acham que será igual daqui a 15 anos, quando suas crianças virarem jovens adultos prontos para brigar, competir, atropelar e acotovelar, para serem capazes de comprar caixinhas maiores para morar, caixinhas mais rápidas para dirigir e caixinhas de canto no escritório para trabalhar. Onde pessoas dentro de caixinhas de organograma mandam em caixinhas de cronogramas. Ora…

O que está no âmago do que os pais procuram na educação? Afinal, as crianças são papéis em branco, prontas como esponjas para serem inculcadas com conhecimento e práticas sociais? São matéria-prima para o difuso rei-pagão, o mercado de trabalho? Devem ser sacrificadas no altar do emprego, para então serem declaradas sucesso ou fracasso, dependendo de quanto subirem na hierarquia das caixinhas?

As empresas da era industrial se utilizam bastante das pequenas caixas. Com seus complexos e completos processos, tratam as pessoas como executores de tarefas definidas em caixinhas.


É melhor disciplinar ou elogiar?

abril 16, 2008

Do livro Happy Hour is 9 to 5 de Alexander Kjerulf:

Qual destas filosofias tu achas que faz as pessoas mais felizes no trabalho?

  • Pegar as pessoas cometendo erros e puni-las imediatamente?
  • ou

  • Pegar as pessoas cometendo acertos e elogiá-las imediatamente?

Eu concordo com o autor e acredito que a segunda é muito mais eficiente. Aliás, esse livro contém várias dicas úteis para quem quer criar um bom ambiente de trabalho.
Vale a leitura!


Processos e confiança

abril 11, 2008

O processo de desenvolvimento de sw reflete totalmente a maneira como a empresa é administrada e como esta se relaciona com as pessoas.
Achei um artigo que compara alguns aspectos dos processos baseados no CMMI com os processos ágeis. Achei muito interessante a discussão sobre confiança.

The heart of the conversation was on the perception that if a model forces us to write something down then we are not trusted (the more we write stuff down, the less we trust one another).

Me parece ser bem adequada a colocação do autor, uma vez que um dos objetivos de toda a documentação que o CMMI impõe é a independência da empresa em relação às pessoas. Esse objetivo reflete de maneira muito clara a falta de confiança nas pessoas.